HISTÓRIA DO CINEMA DE CAXIAS DO SUL – CINE ÓPERA

E aí galera, tudo bem com vocês?

Hoje quero contar a história desse que foi o maior e mais influente cinema de Caxias do Sul. Sua história é muito interessante e sem duvidas, hoje seria um dos maiores marcos da cidade, infelizmente a falta de interesse e descaso acabou com um dos símbolos do cinema Caxiense.

 

Cine Theatro Apollo

Sua história começa em 1 de Janeiro de 1921, tendo capacidade para 1800 pessoas e faixada de madeira com os alicerces em alvenaria. Nesse período os filmes italianos eram suas principais atrações, junto de seriados de no máximo dez minutos que eram apresentados semanalmente.

Seu auge foi em 1925, quando em suas dependências foram encenadas a Opereta Geisha e após Don Pasticcio. Segundo relatos de João Spadari Adami (Foi um historiador Caxiense) “…o teatro Apollo estava feéricamente iluminado e a platéia totalmente lotada.”

A primeira grande queda ocorreu em 28 de maio de 1927, quando um incêndio destruiu completamente toda a sua estrutura.

Sua reconstrução levou aproximadamente onze meses e a reinauguração aconteceu no dia 07 de abril de 1928, ainda sob o nome de Cine Apollo. Sua capacidade agora atingia o expressivo número de 1200 lugares, fachada em alvenaria e três pavimentos com quatorze amplas janelas com tampos internos de madeira. Seu publico principal era formado por frequentadores do Clube Juvenil, que nesse período eram rivais do Clube Juventude.

Nesse período, seus expoentes foram apresentações aos sábados e domingos, ficando por conta da Banda Lira Independente. Como outras atrações, poucos registros em jornais da época, anunciavam o filme Fogo sobre a Inglaterra com o preço do ingresso de 1$000 Réis.

Com essa denominação ele funcionou até 1950, período em que não recebeu investimentos e sua deterioração foi se agravando rapidamente.

 

Cine Teatro Ópera

Opera 1960

Sua reabertura em 1951 com diversas modificações estruturais e até mesmo no nome, o tornaram referência na cidade, a impressa local passou a utilizá-lo nos programas de auditório. Atrações nacionais como Cauby Peixoto e Ângela Maria esgotavam a sua lotação e levavam o publico ao delírio.

Dessa forma acabou se tornando um símbolo da cidade e os filmes atraiam multidões em suas estreias que aconteciam nos sábado e domingos, não podendo deixar de comentar do “Dia da Dama” que liberava a entrada de mulheres nas quartas-feiras.

Após anos de glórias, chegaram os anos 60, que tornaram a TV uma grande concorrente dos cinemas, assim diminuindo seus espectadores. Já nos anos 80 os cinemas deixam de ser espaços destinados para apresentações teatrais e balé, uma vez que as escolas passaram a criar grandes auditórios para tais finalidades.

Em 1985 o prédio do Cine Ópera foi decretado de utilidade pública, já que possuía uma acústica única e capacidade de 1800 espectadores sentados, que o diferenciava da Casa da Cultura até então.

Em 1991 uma apresentação da Ópera Barbeiro de Sevilha com apoio da UCS e CIC, além do abraço coletivo, que reuniu duas mil pessoas, tentaram preservar o cinema que nesse momento estava entrando em estado de alerta.

abraço opera

Sua ultima sessão aconteceu no dia 04 de Janeiro de 1993 e sua atracão final foi Drácula de Bram Stoker de Stanley Kubrick. Após várias disputas judiciais e desacordos o Cine Ópera foi coberto por tapumes e se tornou abrigo de sem tetos. Sua degradação era evidente e mesmo com os esforços da população, nada foi possível para reverter o seu destino.

Triste fim

Opera descaso

Em 23 de Dezembro de 1994, chegava ao fim a trajetória do mais belo e imponente cinema de Caxias do Sul, num incêndio que consumiu o pouco que restava da sua estrutura histórica. Até hoje não existem causas estabelecidas para o incêndio e provavelmente nunca será resolvido.

 

Atualmente

Garagem opera

Hoje em seu lugar, possuímos um edifício garagem denominado Garagem Ópera. Sempre que passo pela Rua Pinheiro Machado esquina com Dr. Montaury, observo aquele estacionamento rotativo e penso em quantas oportunidades Caxias do Sul perdeu em preservar sua história e cultura, por falta de respeito, despreparo e ganância.

Além de contar essa história, espero poder abrir os olhos de muitas pessoas que não fazem idéia de quantos espaços estão e serão esquecidos por esses problemas que afetam nossa cidade.

 

Alguém lembra ou conheceu esse cinema?

 

Referências:

O Livro Cinemas: Lembranças de Kenia Pozenato & Loraine Giron
Reportagens de Rodrigo Lopes de Oliveira do Jornal Pioneiro

 

 

 

Anúncios